Ensaio sobre o louco por cogumelos  

Peter Handke
Logo de início, Peter Handke anuncia o tom: “Está ­ficando sério de novo!”, diz o protagonista, alter ego bem pouco dissimulado e crítico mordaz do próprio escritor. Nesse jogo de duplo espelho em que o ensejo é saber o quanto há da persona Handke em cada trecho, fato é que temos aqui o último — embora com o Prêmio Nobel de 2019 nunca se sabe ao certo — ensaio autorretratado da série de cinco. O confronto com a escrita percorre e traspassa a série e chega aqui a bom porto, não sem sua carga de ironia e sarcasmo, finamente moldada pelos anos.

Handke parodia a si mesmo, faz circunvoluções em torno do escrever e do não conseguir escrever (tão importante quanto), camuflando-se sob as abas de efêmeros cogumelos brotando (como a escrita?) em florestas encantadas. Brotam selvagens e resistentes, contra ventos e intempéries — a metáfora com a escrita nunca é fortuita. Fato é que Handke ou seu irrequieto farejador dos bosques encara todas as dificuldades de mundo em cumprir a meta de escrever um compêndio micológico. O todo em meio a considerações múltiplas, por vezes saborosamente alucinógenas, em que o alterno handkeano cai em reflexão precisa e condoída sobre o que vem a ser a criação literária, e nisso o romancista, dramaturgo, ensaísta e roteirista austríaco é mestre inconteste.

E por falar em devaneio, que tal termos aqui um advogado de tribunal internacional (de Haia?) no papel de sábio bufão colhendo seus preciosos fungos de terno gravata? Em Handke, ao fim e ao cabo tudo tem sua razão e nada é gratuito.


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Formato: 14x19cm
Páginas: 160
ISBN: 978-85-7448-278-1
Tradução: Augusto Rodrigues

SOBRE O AUTOR

Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2019, Peter Handke é um dos maiores escritores de língua alemã. Tornou-se conhecido nos anos 1970 como roteirista de Wim Wenders e por obras como "O Medo do Goleiro Diante do Pênalti", "A Mulher Canhota" (também filmado por ele) e "Tarde de Um Escritor". Produto por excelência da dissolução do Império Austro-Húngaro e mais tarde da Iugoslávia (a mãe era eslovena, o pai austríaco), sua escrita é fortemente marcada pelo desassossego centro-europeu e das margens do Danúbio. Sua rebeldia é igualmente literária, com todo proveito para sua vasta e refinada obra.          

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