SOBRE A OBRA

Autora do festejado Memórias de Adriano, a francesa Marguerite Yourcenar (1903-1987) lança-se neste ensaio a um ousado desafio intercultural com o objetivo de tentar iluminar uma das mentes literárias que mais a fascinavam: o japonês Yukio Mishima. As motivações que cercam o suicídio do autor de Cores proibidas, afinal, sempre alimentaram a curiosidade de leitores mundo afora, teimando em perdurar como um mistério insondável, ao menos da perspectiva ocidental – mesmo que o próprio tenha tentado, ainda em vida e em vão, se justificar. No dia 25 de novembro de 1970, Mishima prepara sua morte com minúcia. 

Está com 45 anos. Sua obra é ampla. Alcançou a glória mundial. Ele quer que seu suicídio obedeça em todos os aspectos aos rigores do rito exigido há séculos pela tradição de seu país. Assim, rasga o próprio ventre, antes de se fazer decapitar pela espada de um amigo. Morte a um só tempo terrível e exemplar, pois une-o com profundidade ao vazio metafísico o que fascinou desde a juventude. Marguerite Yourcenar coloca seu talento literário a serviço dessa aventura humana, pela qual ela experimenta, de modo simultâneo e paradoxal, familiaridade e estranhamento.

Sua análise se articula sobre alguns momentos da vida e da obra de Mishima: a angústia juvenil retratada em Confissões de uma máscara; a tetralogia Mar da Fertilidade, espécie de “testamento literário” do autor; a decepção de Mishima ao ver o Prêmio Nobel que esperava ganhar ir para o mestre Yasunari Kawabata (que também morrerá por suicídio); os anos perturbados que o levaram a “reforjar” seu corpo; e, em segundo plano, a política, a ação e a obsessão com o seppuku; a morte, enfim. Assim, dentro de um modelo de estudo crítico, uma grande escritora do Ocidente investiga e tenta desmontar os mecanismos da psicologia de um grande escritor do Oriente, expondo as ambições, os triunfos, as fraquezas, os desastres interiores e, finalmente, a coragem de uma figura emblemática das artes japonesas do século XX.
 



SOBRE O AUTOR

Marguerite Yourcenar nasceu em 1903, em Bruxelas, de pai francês e mãe de origem belga. Cresceu na França, mas foi principalmente em outros países que ela viveu em seguida: Itália, Suíça, Grécia, e instalando-se depois na Ilha de MountDesert, na Costa Noroeste dos Estados Unidos, até sua morte, em 1987. Foi eleita para a Academia Francesa em 1980. Sua obra compreende, entre outros, o romance histórico Memórias de Adriano (edição original: 1951/última edição brasileira: 2005), que lhe rendeu reputação mundial, além de Contos Orientais (1963), Tempo, esse grande escultor (1983) e A Obra em Negro (1968), que lhe rendeu por unanimidade o Prix Femina naquele ano.

Livro
Tradutor Mauro Pinheiro
Formato 21x14x1cm
Páginas 128
Peso 0.160Kg
ISBN 978-85-7448-219-4

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