
Em setembro de 2016, o filósofo Charles Pépin lançou seu As Virtudes do fracasso com algum alvoroço: 25 mil cópias voaram das prateleiras francesas em menos de um mês. A Estação Liberdade agora lança a edição brasileira do livro, que usa várias disciplinas para questionar o tabu do fracasso. As virtudes do fracasso convida o leitor a lançar um novo olhar sobre a importância do erro. Recheado de exemplos, o livro mostra que os fracassos inevitáveis ao longo da vida podem ser, em alguns casos, experiências essenciais para a vida pessoal e profissional.
Examinando as biografias de personagens como Abraham Lincoln, Steve Jobs, Thomas Edison, Rafael Nadal, J.K. Rowling e muitos outros, o texto explica as diversas formas como uma adversidade pode ser aproveitada: o fracasso pode nos oferecer informações valiosas sobre algo ou sobre nós mesmos, pode revelar um desejo ou oportunidade oculta, ou, simplesmente, pode nos tornar disponíveis para algo novo.
Pépin dá o embasamento filosófico ao livro convocando Sêneca, Hegel, Kant, Sartre, Nietzsche, Lacan, Freud e outros pensadores, além de se apoiar em sua própria experiência como professor e conferencista. Na convergência do erudito e do popular, As virtudes do fracasso é uma inovadora meditação sobre as adversidades, uma crítica do atual culto ao sucesso e uma defesa apaixonada da ousadia e da resiliência.
Afinal, como o autor afirma no livro e em suas disputadas palestras: “é preciso fracassar para se tornar humano.”
O FRACASSO COMO EXPERIÊNCIA DO REAL
A cada capítulo de seu livro, Charles Pépin nos apresenta uma "virtude do fracasso". Para falar da primeira delas, ele lembra uma desconcertante derrota que o espanhol Rafa Nadal sofreu nas mãos de Richard Gasquet, considerado a maior promessa do tênis na França, em um torneio juvenil.
No ano seguinte, Nadal ganhou o torneio após reinventar seu estilo de jogo e assimilar a mesma agressividade que Gasquet usou para vitimá-lo, traço que se tornou sua marca registrada e levou o espanhol ao topo do ranking mundial. "Talvez ele tenha aprendido, numa só derrota, o que dez vitórias não poderiam ter lhe ensinado", resume Pépin.
O FRACASSO COMO LIÇÃO DE HUMILDADE
Charles Pépin explica: "humildade" deriva da raiz latina "humus": "terra". Quando Steve Jobs foi forçado a sair da empresa que havia criado, ele havia perdido a mão: recusava-se a ouvir colaboradores, gerenciava na base da humilhação e não criava mais sucessos. A demissão, diz ele, "foi um remédio terrível, mas acho que o paciente estava precisando muito dele.” Após este fracasso, liberto de sua arrogância, ele iniciou um dos períodos mais criativos de sua vida. Pouco tempo depois, criou a NeXT e galgou sua volta triunfal à presidência da Apple.







