Estação Liberdade: baldeação para o melhor da literatura

Fundada em 1989 em São Paulo, a Editora Estação Liberdade carrega este nome por dois motivos: a sua primeira sede foi no bairro da Liberdade, local historicamente ligado ao fim da escravidão e, depois, ao estabelecimento da colônia japonesa em São Paulo; e, também, por conta do momento pelo qual passava o país quando a editora foi criada, caminhando ao fim da ditadura e à redemocratização.

A Estação Liberdade se compromete com a bibliodiversidade, procurando trazer em seu catálogo o que há de melhor da ficção e não ficção pelo mundo: clássicos da literatura, ficção contemporânea, literatura e cultura do Leste Asiático, filosofia, história e arquitetura, sempre em traduções feitas diretamente dos idiomas originais.


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A capa da edição 2018 de nosso catálogo traz uma foto de Robert Doisneau emprestada de A INVENÇÃO DE PARIS. O livro, lançado no final de 2017, é um instrumento nosso para trazer à tona várias coisas ao mesmo tempo: a beleza iluminada de uma metrópole carregada de história, um passado de insurreições de um povo insubmisso, uma produção cultural e artística indelével através dos tempos. Na verdade, um livro-projeto de vida de Eric Hazan, historiador, escritor e colega editor, de quem também está no prelo um inovador ensaio sobre a Revolução Francesa.

Com A INVENÇÃO DE PARIS, essa cidade que nunca se aquieta, nos toca dar uma pitada positiva numa época conturbada em que urge discutir avanços civilizacionais que acreditávamos consolidados e que alguns teimam em fustigar. Parafraseando Brecht, ventres sempre estarão a postos para gerar alguma nova podridão. Assim, colocamos o dedo na ferida com a coletânea de ensaios A GRANDE REGRESSÃO, com participantes do quilate de Zygmunt Bauman, Nancy Fraser, Bruno Latour, Slavoj Žižek e outros, adquirida de nossa parceira alemã Suhrkamp. Regressão também em termos de distribuição de riquezas, e aí uma penca de estudiosos incluindo Robert Solow, Paul Krugman e Marshall Steinbaum se confronta longamente com os estudos de Thomas Piketty sob a batuta da Harvard University Press em DEPOIS DE PIKETTY. Com vistas a um enfoque mais filosófico, traremos as aguardadas remessas de Peter Sloterdijk, com os emblemáticos títulos VOCÊ PRECISA MUDAR SUA VIDA e OS TERRÍVEIS FILHOS DOS NOVOS TEMPOS. Também temos todo o prazer em introduzir no Brasil Charles Pépin, com seu tão perspicaz AS VIRTUDES DO FRACASSO, lançado em março de 2018.

Arquitetura, estética e política se reúnem na obra de El Lissitzky, ARQUITETURA PARA UMA REVOLUÇÃO MUNDIAL. É nossa sutil contribuição para os 100 anos da Revolução Russa, esse paradigmático evento mesclando ruptura e utopia, e assim mantemos o foco na coleção Estúdio Aberto, que ainda trará Le Corbusier, Adolf Loos e outros.

A Estação Liberdade não descuidará tampouco de sua esfera ficcional. Daremos continuidade às áreas de predileção da casa. Max Frisch e Friedrich Dürrenmatt darão sotaque suíço a nosso catálogo de letras alemãs, que ainda terá novidades de peso como Christa Wolf e Ingeborg Bachmann. Atiq Rahimi traz uma estética literária do exílio e reminiscências do Afeganistão em A BALADA DO CÁLAMO, e pelos lados do Extremo Oriente manteremos o engajamento com o Japão.

A jovem Sayaka Murata o pintará de dentro das lojas de conveniência, enquanto Banana Yoshimoto, Yoko Ogawa, entre outras e outros, nos contemplam com os mais variados tons. Revisitaremos ainda Soseki, Dazai, Tanizaki e Kawabata. Da Coreia percorremos séculos com clássicos e contemporâneos, e da China fomos buscar Chen Zhongshi, com o volumoso e incontornável NO PAÍS DO CERVO BRANCO. De Sam Shepard e Richard Ford, com AQUI DE DENTRO e COM TODA A FRANQUEZA, nos vêm ecos de uma América do Norte que essa sim faz bem ouvir.

Que possamos assim dar nossa pequena contribuição para que não se inventem novas regressões.